Trichomonas vaginalis é o agente etiológico da tricomoníase. Esse parasita é um protozoário flagelado anaeróbico facultativo, ou seja, que consegue sobreviver na presença e ausência de oxigênio, que gosta do pH entre 5 e 7,5 e temperaturas de 20°C e 40°C. Isso se torna importante pois se assemelha ao ambiente vaginal.
T. vaginalis habita a mucosa vaginal, prepúcio, uretra e próstata, e não sobrevive fora do sistema urogenital. As células epiteliais cervicais e vaginais apoiam a aderência do parasita, sobrevivência e replicação no trato genital. Durante a menstruação, o fluxo menstrual fornece nutrientes ao parasita como aumento do ferro na região, que é fundamental na sua regulação genética. Além de ser capaz de manter o glicogênio em reserva como forma de energia.
Após se fixar no trato genital, o protozoário se multiplica por fissão binária e gera colônias. Por fim, seu período de incubação, isto é, o tempo entre a contaminação e o aparecimento do sintomas, varia geralmente entre 4 a 28 dias.
O Trichomonas vaginalis é um parasita que só infecta o ser humano e é quase sempre sexualmente transmissível. Curiosamente, a transmissão só se dá através do sexo entre mulher e homem ou entre mulher e mulher. Entre homens é pouco comum, isso ocorre porque o parasito só infecta o pênis ou a vagina, sendo rara a contaminação de outras partes do corpo, tais como as mãos, a boca e o ânus.
Diferente da mulher, os homens possuem o líquido prostático rico em zinco que é altamente tóxico para o agente etiológico, fazendo-o assim durar apenas 6 horas. Logo, a tricomoníase em homens pode ou não apresentar sintomas.
A transmissão do T. vaginalis também pode acontecer através de roupas e toalhas compartilhadas, mesmo sendo incomum.
Em mulheres:
►Dor
►Irritação da vulva
►Prurido (coceira)
►Dificuldade de urinar
►Odor forte e desagradável
►Corrimento amarelado ou amarelo-esverdeado
*Esses sintomas podem variar de acordo com cada caso.
Entretanto, em alguns casos, essa doença pode permanecer meses sem apresentar nenhum sintoma, dificultando o tratamento após a descoberta.
Em homens:
►Prurido (coceira)
►Ulceração peniana (lesões no pênis)
►Disúria (dor e desconforto ao urinar)
►Uretrite (inflamação ou infecção da uretra)
►Sensação de queimação imediatamente após a relação sexual
*Esses sintomas podem variar de acordo com cada caso.
Complicações são raras, mas podem incluir epididimite, infertilidade e prostatite.
A tricomoníase pode ser facilmente confundida com outras doenças sexualmente transmissíveis (DST's) devido aos seus sintomas. Entretanto, diferente da candidíase, que causa apenas prurido, e da vaginose bacteriana, que causa somente mau cheiro, a tricomoníase produz ambos prurido e mau cheiro, além de um corrimento amarelo-esverdeado purulento (em que há pus).
Outra diferença entre elas é que o agente etiológico da tricomoníase é um protozoário, enquanto das outras é um fungo e uma bactéria, respectivamente. Mesmo não sendo possível observar isso normalmente, com os devidos exames é facilmente descoberto.
Mesmo assim, sempre é aconselhado a ida ao médico para fazer os devidos exames e não se autodiagnosticar. Realizar o tratamento errado pode piorar a doença ao invés de tratá-la.
É uma doença de transmissão transversal, por isso pode ser diagnosticada por meio de exames de sangue e PCR (proteína c-reativa).
Além, disso em mulheres é recomendado o exame Papanicolau (preventivo), mesmo possuindo baixa sensibilidade, deixando passar cerca de 50% dos casos, além de ter uma alta taxa de falso positivo.
E, em homens, o exame de cultura de urina, após massagem prostática. É recomendado que seja realizada a massagem prostática, tendo em vista que muitos deles com a idade entre 16 e 22 anos apresentaram-se positivos para tricomoníase, quando submetidos à ela.
Quanto à medida terapêutica, podem ser administrados fármacos, como o metronidazol e o tinidazol, que são os únicos que oferecem terapia curativa para a tricomoníase. Normalmente é recomendado o uso de antimicrobianos por cerca de 5 ou 7 dias, dependendo do antibiótico utilizado, com o objetivo de aliviar os sintomas e eliminar o parasita.
Sendo importante lembrar de sempre de consultar um médico antes da ingestão de qualquer medicamento.
Aconselha-se também que ambas as pessoas que tiveram relação sexual nesse período da descoberta da doença realizem o tratamento, isso se dá porque os sintomas podem demorar até 28 dias para aparecer - devido ao ciclo do protozoário - e alguns casos de infecção podem ser assintomáticos.
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